Vídeo do Toré do Mílho no Santuário Sagrado dos Pajés

O Toré do Milho

No dia oito de março o Santuário Sagrado dos Pajés celebrou a vida no chamado "Toré do Milho". O ritual que reverência o alimento é tradicional entre a maioria das comunidades indígenas e, entre os Fulni-ôs é uma obrigação a realização deste todos os anos. "Cada planta tem um espírito que temos de zelar. O malhithi (milho em Yhatsalé) é um alimento muito forte e rico da nossa cultura", ensina o índio Towê/Fulni-ô. Ele ainda ressalta a diversidade alimentícia que o milho gera como o cuzcuz, canjica, pamonha, angu, cural... "O ano que vem vamos fazer de novo para manter o espírito".

O dia coincidiu com a data que representa um marco de luta para todas mulheres. Por isso, o índio Santxiê/Fulni-ô deixou que cada mulher presente ao ritual desse sua palavra sensitiva ao momento. "Desejo sorte para todas mulheres neste dia", disse a índia Ednalva/Tuxá. Sulimar Gonçalves, Prefeita da 208 sul, deu um importante recado: "O dia internacional das mulheres são todos os dias", bem lembrado diante da cultura machista em que vivemos. Depois, ao lado de dois curumins, Santxiê saudou as energias da terra, da água e do milho e junto aos guerreiros Fulni-ôs iniciaram os cantos sagrados. "A cerimônia do milho é para reinsinar a humanidade a grande potencialidade do alimento", enaltece o Pajé.

Em seguida, os "amigos do bananal" convidados para o ritual puderam se alimentar da fartura produzida ali mesmo pelos indígenas na Oga Kunhã (Oca das Mulheres). "Vamos a tomar caxiri (bebida a base de milho) na cuia!", vibra o Cacique Korubo, que vive no Santuário Sagrado dos Pajés. Os cantos sagrados continuaram com a energia do grande Tupã. Santxiê também mostrou aos convidados o herbário de ervas medicinais e frutíferas explicando o valor de cada uma. As mudas servem também para o replantio de áreas degradas como o Parque Burle Marx que durante anos sofreu com o descaso do governo e da comunidade vizinha. Há inúmeras invasões de escolas e igrejas além da própria Terracap (órgão de assuntos fundiários do governo) ter utilizado parte da área para extração de calcário.

O ritual, além dos indígenas das etnias Fulni-ô, Guajajara, Munduruku, Pankararu, Korubo, Cariri-Xocó, Tuxá e Xacriabá, também recebeu os "amigos do Bananal" como o professores universitários e secundaristas, jornalistas, biólogas, funcionários da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), estudantes, cineastas, voluntários do Centro de Mídia Independente e os demais que lutam pela preservação do cerrado nativo de Brasília onde vivem os indígenas.
Feijoada Tribal

No dia nove de março a alegria continuou no Balaio Café. A chamada "Feijoada Tribal" aconteceu num clima descontraído que se estendeu até seis da tarde. A contribuição dos participantes servirá para estruturar cada vez mais a Reserva Indígena do Bananal.

A música ficou por conta de Towê/Fulni-ô que cantou algumas músicas de sua autoria na sua língua original, o Yhatsalé, junto com o violão os demais que entraram na roda. Para a digestão o "cineminha" do Balaio passou vídeos do projeto: "Vídeos nas Aldeias", importante iniciatica que fornece aos indígenas a oportunidade de dominarem a técnica no processo de construção de seus próprios vídeos. Os Filmes "Cantos Sagrado dos Guerreiros" e "Sagrada Terra Especulada" também foram veiculados. A índia Tanoné/Cariri-Xocó expôs seus artesanatos feitos na Reserva Indígena do Bananal.

Apesar do Correio Braziliense (jornal impresso com maior circulação no Distrito Federal) veicular matérias semanais mentirosas sobre a implementação do Setor Noroeste, colocando sempre a vontade desumana do Governo do Distrito Federal/especulação imobiliária, os conscientes do valor natural daquela terra e da comunidade tradicional que ali habita, cada vez mais se fortalecem espiritualmente e juridicamente a favor da preservação do planeta, pois se cada um fizer sua parte na comunidade onde vive, o gesto se expande na conciência universal.

Associação Cultural Povos Indígenas - ACPI

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