O JOGO

O monopólio da informação está em xeque. Já que o rei está morto, os piolhos se alimentam do sangue da família real. As torres sustentam nossas antenas, os bispos não redimem o território que está ocupado pelos milhões de peões sedentos de movimento.

O desencantamento do mundo não destruiu o mito da magia dos meios como se as imagens e sons fossem frutos do divino.Os fins por enquanto prevalecem, a subversão urge que consideremos o modo de fazer ao invés da coisa feita, o improviso sobre o tema, já que o tema é um improviso repetidamente tocado.

Cocem suas cabeças, os piolhos estão em ação.

Quantas vezes o que você vê na TV te impressionou?

Os teóricos da comunicação e os cientistas da sociedade se limitaram até agora a interpretar os meios. Trata-se de modificá-los. Tudo o que acontece não tem mais pertencimento. Os donos da legítima moral da propriedade são como cegos no escuro – nem a visão os fará ver. E a nossa lanterna não aponta à escravidão. A sede dos que chegam não corresponde ao fel oferecido. A reciclagem é um machado nos grilhões. Quando as máquinas que criaram sucumbirem sob nossa imensa humanidade, seus pupilos de outrora se arrependerão por terem-na feito.
Nosso porta-estandarte carrega uma antena, nossa linha de frente leva microfones, a artilharia aponta as lentes das câmeras, de escudo usamos nossas bolachas de vinil e nossas bombas chegam em ondas de rádiofreqüência. Quando compreendermos que a luta não passa por espaços nem tempo, estaremos prontos para agir em qualquer hora e qualquer local. Não nos importa a distância.

Tudo o que nos parecer natural é um alvo.