Estudo sinaliza o fim do atual modelo de tevê

Pesquisa divulgada recentemente pela *IBM Business Consulting Services*revela que a televisão, conforme a conhecemos hoje, está com os seus dias contados. Diz o estudo que somente sobreviverá a indústria de TV que ofertar um maior número de canais e der conta dos diferentes níveis de exigência dos consumidores. O documento *'The end of TV as we know it: a future industry perspective'* (O fim da televisão como a conhecemos: uma perspectiva do futuro da indústria) entrevistou executivos europeus, asiáticos e norte-americanos que trabalham na área.

De acordo com o levantamento, a indústria de TV destas regiões ou se adaptará ao novo cenário ou simplesmente desaparecerá. "Nossas análises indicam que a evolução do mercado televisivo está articulada com duas vertentes: uma maior oferta de canais e os diferentes graus de envolvimento dos consumidores", destaca o estudo.

Se a indústria não agir rapidamente, oferecendo conteúdos para atender a demandas (*on-demand*) de seus telespectadores, a televisão, nos próximos sete anos, será totalmente irrelevante diante das conexões digitais que já fazem parte do dia-a-dia da população.

O estudo mostra que até 2012 o conteúdo oferecido pelas TVs terá que ser cada vez mais diversificado, possibilitando mais acesso para um maior número de pessoas. Por outro lado, os telespectadores também deixarão de lado uma posição mais passiva frente aos conteúdos oferecidos, estabelecendo uma relação mais ativa e participativa. "Num futuro próximo, a indústria de TV
estará marcada por duas modalidades de consumidores: os telespectadores passivos e os telespectadores ativos, que demandarão uma mídia mais interativa e participativa".

No grupo dos telespectadores ativos, a pesquisa identifica ainda dois subgrupos: os *gadgetiers* que estarão ligados à TV de alta definição via TV ou via computador e à procura de interatividade; e os *kool kids *, mais ligados às últimas tendências da telefonia móvel.

Os autores do estudo dizem ainda que o futuro próximo será caracterizado pelo que eles chamam de '*Generational Chasm'*, ou seja, por uma profunda separação, diferenciação entre esses dois grandes blocos de consumidores (os passivos e os ativos): "Uma diferença caracterizada pela idade do consumidor e pela predisposição dele ser mais passivo ou ativo no ato de assistir aos conteúdos da televisão. O consumo da televisão tende a crescer, sim, em parte, devido ao encanto das novas tecnologias que permitirão um aumento do controle sobre quando, como e onde o conteúdo poderá ser acessado".

Para os executivos da indústria de TV que não querem perder seu espaço, o documento afirma que é preciso agir desde já. O texto traz seis prioridades de ações que devem ser adotadas pelas empresas. São elas:

*Segmentação*: invista em diferentes estratégias para dar conta das duas modalidades de consumidores;

*Inovação:* inove seus modelos de negócios, janelas e pacotes de serviços e de preços;

*Experimentação*: desenvolva, tente, refine, jogue com o futuro. Repita. Conduza experimentos do mercado sozinho ou com parceiros;

*Mobilização*: crie conteúdo móvel que ofereça novas experiências para os consumidores;

*Abertura*: direcione seus conteúdos para plataformas de acesso livre, para que eles se renovem e dêem novos modelos de negócios flexíveis;

*Reorganização*: avalie o seu negócio frente às necessidades do futuro, identificando as competências que precisa.

Pesquisa na íntegra: http://www-1.ibm.com/services/us/imc/pdf/ge510-6248-end-of-tv-full.pdf

Texto retirado de http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2006/msg00108.html